Tendência confirmada: Infraestrutura de recarga para além dos grandes centros
No fim de 2025, a Spott apontou uma possibilidade que parecia ousada: a recarga de veículos elétricos deixaria de ser um privilégio dos grandes centros e começaria a ganhar corpo no interior do país. Até então isso era uma leitura de sinais, agora se trata de dados consolidado. A tendência virou mapa, números e obras em andamento.
A infraestrutura de recarga no Brasil está atravessando uma fase de interiorização consistente, com uma redistribuição geográfica, diversificação de modelos e amadurecimento da rede.
A recarga começa a desenhar um Brasil menos concentrado
Entre novembro de 2024 e fevereiro de 2025, as regiões Norte, Centro Oeste e Nordeste lideraram o crescimento percentual no número de municípios com pontos de recarga:
Norte: +23,7%
Centro Oeste: +13,1%
Nordeste: +10,9%
Esse movimento indica algo maior do que novos pontos no mapa. Ele mostra que a infraestrutura está deixando de seguir apenas o eixo das capitais e corredores mais óbvios e começa a responder à demanda regional, logística e turística.
Em 2025, a rede de recarga já alcançava 25% dos municípios brasileiros. Eram 1.363 cidades com pelo menos um eletroposto e 14.827 pontos de recarga instalados. Outro sinal importante é a mudança de perfil dos equipamentos. Os carregadores rápidos, do tipo DC, crescem em ritmo superior aos lentos, refletindo uma busca por conveniência, rotatividade e operação mais profissionalizada.
Crescimento de frota puxa infraestrutura para fora das capitais
A expansão acompanha a eletrificação da frota, que também começa a se espalhar para além das metrópoles.
No primeiro semestre de 2025, a frota eletrificada cresceu 28%, alcançando 481 mil unidades. E os destaques são cidades de porte médio já apareciam com números relevantes:
Anápolis, GO: 1.763 veículos eletrificados
Goiânia, GO: 1.754 veículos
Campinas: crescimento de 247%
Vitória e Maceió: altas próximas de 190% a 200%
Enquanto SP e RJ ainda concentram cerca de 70% dos pontos de recarga, o crescimento relativo é mais acelerado fora desse eixo. Isso significa que novos investimentos encontram menos saturação, maior espaço competitivo e demanda crescente em mercados regionais.
Oportunidade para novos entrantes e operadores locais
Para quem pensa em investir, operar ou expandir na mobilidade elétrica, o recado é: O jogo deixou de acontecer apenas nos CEPs mais populosos.
Cidades médias e corredores intermunicipais oferecem:
Menor concorrência direta
Maior visibilidade do ponto de recarga
Parcerias locais mais ágeis
Demanda em fase de aceleração
Espaço para modelos híbridos de monetização, como recarga + varejo + serviços
Além disso, a presença de carregadores rápidos fora das capitais aumenta a confiança do usuário para viagens mais longas, o que retroalimenta o uso e melhora a viabilidade dos pontos.
Infraestrutura gera adoção, adoção gera infraestrutura: o ciclo começa a girar com mais autonomia.
Tendência confirmada
O que antes era projeção agora é trajetória observável. A infraestrutura de recarga brasileira está se espalhando como rede viva, acompanhando a frota, a economia regional e a maturidade do mercado.
Para CPOs, o momento pede leitura territorial fina, boas parcerias e inteligência operacional. Para usuários significa mais liberdade de rota. Para investidores, um campo que está deixando de ser promessa e virando ativo.

